Segunda metade da vida
Segunda metade da vida: quando a vida que você construiu começa a pedir outra coisa.
Talvez nada tenha propriamente desmoronado.
Os filhos cresceram.
Os pais envelheceram.
O corpo mudou.
Uma relação se transformou ou terminou.
O trabalho pode já não ocupar o mesmo lugar.
E pode surgir uma pergunta inesperadamente difícil:
O que eu quero agora?
Não me reconheço mais.
Durante décadas, diferentes posições podem organizar uma existência: ser filha, companheira, mãe, profissional, cuidadora.
Quando essas posições se modificam, não muda apenas aquilo que acontece ao redor.
Pode mudar também a maneira pela qual uma mulher se reconhece.
O que muda, e o que permanece?
O corpo participa da maneira como nos reconhecemos e como somos reconhecidas.
Os filhos passam a precisar da mãe de outra maneira.
Os pais podem começar a precisar de cuidados.
Relações construídas durante décadas podem adquirir novas formas.
Essas mudanças podem mobilizar questões ligadas ao desejo, à sexualidade, à autonomia, à culpa, à passagem do tempo e à própria finitude.